#7:… saber dar VALOR

Setembro 27, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

 

     E aí, como foi..?

     O  jogo em si, sozinho, já mexeu em algumas coisinhas minhas que são de extremo valor – só o fato de ter de escrever o que sinto e o que penso e tentar, assim, contar um pouco do que sou, já foi uma delas. Ter de usar o mundo virtual, aliás, é algo um tanto frágil e me demandou um certo cuidado, já que é o espaço que tivemos para mostrar quem somos. E, bem hoje – em pleno último dia -, descobri que podia mudar a cara do blog e o resultado ta aqui em cima: coloquei um desenho meu. Diz mais sobre quem eu sou, provavelmente. Antes tarde do que nunca, né?

     A verdade é que, na prática, ainda não deu para realizar, enquanto jogando, tudo o que eu gostaria – em especial, minha questão a resolver (a relativa aos últimos posts) ainda não deu muitos frutos, talvez por ser algo muito específico, elementar - mas continuo indo atrás, claro, buscando alternativas, conversando com as pessoas - e por aí vamos. Aliás, uma crítica que eu posso fazer é essa – 10 dias é pouco tempo, na minha opinião, para uma tarefa tão ‘mão na massa’ quanto a tarefa 6. Aliás, infelizmente a necessidade de um limite de tempo nem sempre torna as coisas tão frutíferas quanto deveriam (ou poderiam)…

     Bom, de todo modo, são as questões como essas (às vezes bem pequenas, às vezes que atingem muita gente) que a gente tem que acordar em nós mesmos, eu acho. Em mim, pelo menos, sempre há a vontade e nem sempre eu sei o ‘como’ – estar aqui jogando, indica  (no mínimo) que as possibilidades sempre existem e o negócio é ir atrás mesmo e não se desligar, não esperar as coisas acontecerem. Nas útlimas tarefas, vou ser sincera, eu estava atolada em trabalhos da faculdade e provavelmente não me dediquei o tanto que gostaria (várias vezes me desdobrei para conseguir cumprir as tarefas no prazo!) mas, ainda assim, foi para mim um processo bastante rico. Cada coisa nova que a gente tenta faz mais fichas caírem, e você percebe o quanto pode fazer. Podemos muito, às vezes tentamos pouco. Aquela sensação de impotência do começo ainda me acompanha, ela não vai ir embora tão cedo. Mas acho que está um pouquinho menos forte - vai ser vencida pouco a pouco, na medida em que eu mantiver a atitude que busquei enquanto estava aqui.

      Fato é que, sendo escolhida ou não para o Guerreiros, o jogo até aqui já me foi, sim, empolgante; já me mostrou, por exemplo, que tem muita gente se mexendo e muita, muita gente mesmo, querendo se mexer e buscando, como eu, cada vez mais caminhos para isso. Espero que o Guerreiros seja um caminho para mim – e se não for, o que fiz dele até aqui já me leva à agradecer pela experiência e pela busca. E estarei por aqui!

tarefa #6 : 5, 4, 3, 2, 1…

Setembro 22, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

…JÁ!

     Humm… nesses útlimos dias, o que consegui fazer foi dar um pequeno primeiro passo - fuçei o site da prefeitura e o da CET, e acabei me decidindo pelo último como destino para pedir informações a respeito do correto procedimento a ser usado para um caso como o que eu apresentei nos outros posts;

 

 

     Essa exata solicitação foi mandada há 5 dias atrás e, até agora, nada de resposta (como eu amo essa nossa eficiência..!)… Bom, enquanto espero sentada mais alguns dias, vou aproveitar que toda primeira Segunda-feira do mês acontece a reunião dos moradores da rua – conversei com meu pai e vamos expor o problema para os vizinhos. Assim, quando eu conseguir me informar qual o procedimento que devemos usar (torçamos para que isso aconteça em breve), eles já estejam sabendo o que se passa e possam opinar a respeito.

     Sei que essa solicitação é apenas um pequeno começo, uma informação básica de como proceder – o que é extremamente importante quando se quer distância de burocracias indesejáveis… Outra coisa que com certeza me pode ser útil é procurar meus professores das aulas de planejamento urbano da faculdade; pensei nisso só agora, enquanto escrevo (um pouco atrasada, eu sei) e vou conversar com eles essa semana – procurar apoio em quem tem mais experiência que a gente é sempre lucrativo e com cetreza eles terão alguma dica para me dar.

     Por enquanto, é só – como a tarefa tem um prazo, infelizmente não sei se vou poder escrever aqui grandes resultados até o dia 23. Enquanto isso e depois disso (e até quando for necessário), vou mexer mais alguns pauzinhos e depois venho contar como as coisas estão. Talvez em um mundo ideal eu não precisasse esperar a resposta da prefeitura e já estaria lá no tal cruzamento com uma britadeira em mãos… Mas, como a gente bem sabe, para tudo se tem um ‘como’. Mas eu chego lá.

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tarefa#5 : a gente não está sozinho

Setembro 12, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

       Como resolver um problema de interesse público…? Bom, temos que passar necessariamente pelo poder público – o que pode dificultar as coisas, como temos visto nos jornais. O problema que eu retratei no último post – referente ao cruzamento aqui perto de casa – demanda, prioritariamente, interesse dos moradores. Sendo assim, a primeira disponibilidade de ajuda deve partir de nós que moramos aqui e que temos consciência do problema, além de sermos muitas vezes  os maiores prejudicados. Eu ainda não conversei com meus vizinhos, mas pelo que me parece todos repararam na mudança que a remoção das valetas gerou… Aqui em casa, é unanimidade que isso foi um erro e imagino que nas casas vizinhas também.

      Levar a questão até o órgão responsável seria o passo número dois – penso que se todos os moradores dos arredores (ou quase todos) se mobilizarem à favor, o problema pode ser exposto com a relevância que merece. Seria preciso checar ao certo qual é o procedimento em um caso assim: se são necessárias asssinaturas ou demais burocracias, por exemplo, e nos organizar conforme. Se for  preciso recursos financeiros dos moradores para alguma intervenção, creio que não seria problema, já que moro em um dos bairros considerados dos mais ricos de São Paulo.

      Daí a esperar (e, caso necessário, cobrar…) a atitude do nosso ‘queridíssimo’ governo e insistir para que ela seja tomada, indicando a importância que todas essas pequenas intervenções urbanas têm na dinâmica da cidade e na vida das pessoas que vivem nela – na selva urbana, a gente não está (mesmo..!) sozinho.

tarefa#4 : grandes idéias nascem de pequenas causas

Setembro 9, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

TARTARUGAS, POR FAVOR!

     Como já mencionei antes, me mudei a poucos meses para esta casa – o bairro já me era bem conhecido, pois quase toda minha família mora por aqui, então o frequento desde bem pequenininha. Maaaaas, nada se compara a estar no lugar – vivenciá-lo. Daí que vemos realmente sua dinâmica, as coisas boas e as ruins, no dia-a-dia.

    Minha casa fica perto de um dos vários cruzamentos sem farol (é um bairro pequeno, residencial…); ele sempre teve grandes valetas nos 4 lados, para evitar que os automóveis passassem muito rápido, afinal uma das ruas é de mão dupla, o que agrava essa condição de fluxo. Porém, a pouco tempo atrás, removeram essas valetas – imenso erro! sem farol, sem “tartarugas” e, agora, sem valetas: como resultado, quase todo dia temos um quase acidente (ou um acidente…) – ninguém respeita a placa de ‘pare’ (óbvio, nós paulistanos não podemos esperar o outro passar antes..!) e os carros passam correndo.

    A simples instalação de uma rotatória resolveria esse problema, na minha opinião – é triste ver que a própria liderança da cidade as vezes toma medidas que. não bastando não serem de ajuda, acabam por criar novos problemas… Venho pensando muito nisso – até porque vivencio isso todo dia -  e acho que umas das coisas possíveis de fazer seria expor esse problema aos moradores das ruas próximas (à associação da rua ou do bairro) e, depois de organizados, levar a questão ao órgão responsável na prefeitura. É uma constatação de um problema real, que nasceu de uma simples ação de observação e que pode ser resolvivo com uma simples mudança… grandes idéias nascem de pequenas causas.

tarefa#3 : eu faço a diferença

Setembro 5, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

[ Esse post se refere a essa semana que passou - para a tarefa mais longa até agora, segue provavelmente o post mais longo também. Lá vai: ]

::MEU LIXO

 (1)     Me mudei para onde estou morando hoje fazem alguns meses e aqui na rua nova tem coleta seletiva – passam toda segunda a noite e quinta de manhã; eu deixo separado meu lixo seco para ser recolhido em um desses dias. Onde eu morava não tinha coleta seletiva, então eu separava tudo e levava em algum supermercado Pão de Açúcar (para quem não sabe, a maioria deles tem posto de reciclagem!). Infelizmente, aqui em casa não é todo mundo que contribui – já faz um tempão que tento convencer a todos que é muito fácil separar o lixo diário entre seco e orgânico, mas não é uma prática de todos aqui: a maioria separa algumas coisas só, como aparelhos eletrônicos usados. Mas acho que eles têm me ouvido mais e vão aos poucos tornar a separação do lixo como algo de rotina, natural do dia-a-dia.

(2)    Lista do lixo da semana: papel sulfite, embalagem de chiclete, embalagens de plástico, papel manteiga, fita crepe, saco de plástico, eletrônicos quebrados, papelão, envelope, embalagem de cereal, embalagem de remédio, folha de zona azul

     Todo esse lixo aí de cima está separado para ser levado pela coleta seletiva de segunda à noite (sim, esqueci de deixar separado para a passagem de hoje de manhã… pois é, falha minha!). A única coisa que eu não sei de eles levam para a reciclagem são os aparelhos usados – por via das dúvidas, vou levar no sábado para algum posto do Pão de Açúcar…

::MEU EXCESSO

(1)     Coisas separadas para doação: 5 agasalhos, 3 livros, 1 bolsa, 1 par de sapatos, 3 toalhas

(2)     Aqui em casa todo mundo separa, de tempos em tempos, roupas e afins que não usamos mais – juntei as minhas coisas às da minha mãe, que leva sempre para uma creche e para uma igreja; quando me desfaço de brinquedos ou materiais de escola, normalmente dou para os filhos da moça que trabalha há anos aqui em casa. Além dessas doações esporádicas, sempre deixo também uma sacola de agasalhos usados no meu carro – quando alguém vem na minha janela, eu pergunto se em vez de trocado ele ou ela quer um casaco; é um jeito de evitar dar um dinheiro que a gente nem sabe para onde vai… Nessa semana dei um desses casacos em um farol. E como já aconteceu com minha mãe de uma criança recusar um bombom que ela ofereceu (ao invés de dinheiro…), sempre pergunto antes; tem dado certo.

::MEU CONSUMO

        Como dá para perceber da minha lista de lixo da semana, grande parte dele é composta de papéis e de embalagens; meu consumo de papel é grande desde que entrei na faculdade e logo percebi que esse lixo tinha de ser separado – infelizmente, não tenho muito o que fazer para reduzir esse consumo. Quando estou projetando, por exemplo, é importante para mim ter essa liberdade no uso do papel (especialmente do papel manteiga, no caso), sendo parte do raciocínio em desenvolvimento – às vezes esse processo se resume a 2 folhas e, às vezes, a quase um bloco inteiro de uma vez. Sendo assim, não posso dizer que vou reduzir – o que faço, então, é não desperdiçar e reclicar aquilo que uso.

        No caso das embalagens, foi a pouco tempo que tive consciência de quanto lixo eu faço disso – embalagem de comida, de objetos novos, de chiclete… tem embalagem para tudo! Uma das soluções que encontrei é sempre preferir embalagens maiores – ou seja, que durem mais e que não precisem ser substituídas por outras embalagens. Exemplo dessa semana: na farmácia, ao invés de comprar a embalagem de anti-séptico bucal de 350 ml, comprei a de 500 ml: mais produto e menos embalagem para descartar. Outra coisa: só peço sacolinhas de plástico (em supermercados, farmácias, etc) quando extremamente necessário – se dá eu levo a compra na bolsa mesmo, ou escolho as sacolas de papelão, que dá para usar várias vezes. Percebi também que economizo embalagem (e um dinheirão) levando coisas de casa para comer na faculdade, em vez de comprar na praça de alimentação de lá (que digamos que não é das mais saudáveis…). Aliás, gosto muito de sair para jantar fora, mas nada como um bom jantarzinho feito em casa!

      Aqui em casa todo o aquecimento de água é solar e funciona muitíssimo bem – a diferença é visível desde a mudança, já que onde morávamos não tinha esse sistema. Além de energia, uma meta pessoal é reduzir o gasto de água durante o banho – preciso reduzir seu tempo.

    Bom, algumas pequenas coisinhas já são naturais na minha rotina. Mas, claro, tem muuuuuuita coisa ainda que está longe de ser ideal… A idéia é melhorar sempre.

tarefa#2 : meu PROPÓSITO, meu COMPROMISSO, minha AÇÃO

Agosto 29, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

 

 

Por quê? Não sei bem por onde começar.. A tarefa de início soou fácil, já que para mim já está muito claro que quero participar – colocar em palavras agora me pareceu um pouco mais difícil… Bom, tentaremos:

Como acho que já ficou claro no post aqui de baixo, acredito completamente no poder de mudança que a arte (e todos as atividades intelectuais) tem; especialmente no que diz respeito às pessoas e, em conseqüência, à sociedade. Eu preciso dela, me encontro na arte. E acredito que posso, com ela, fazer algo não só por mim, mas pelo outros – o Guerreiros, desde o começo (quando uma amiga que também está jogando me indicou), me pareceu um programa sério, com compromisso em realmente atuar e não ficar só no papel… Participar seria, desse jeito, um caminho importante; sei que posso criar, construir, ajudar, observar: é bem aqui onde eu me encontro no mais essencial. Meu propósito é o de ter uma vivência que me acrescente e na qual eu posso acrescentar.

Se tudo der certo - se eu realmente estiver em Santos em Janeiro -, penso que voltarei para cá como alguém com uma experiência incrível na bagagem, de um modo que nunca tive antes; entrar em contato com outra realidade, participar dela e acima de tudo tentar entende-la, traria sem dúvida maior maturidade (já que ela quase sempre vem da experiência), mais visão a respeito daquilo que está ao meu alcance. Não sei ao certo o que pretendo fazer quando voltar, com dia e hora marcados… Penso que a experiência como um todo me colocaria em contato com muita gente interessante e me daria muitas ferramentas para usar na minha provável profissão como arquiteta e urbanista, já que vamos lidar com o modo de viver das pessoas. Estudando as cidades – e nós, seres tão pequenos que vivemos nelas! -, vejo que os problemas são tantos e tão profundos que, às vezes, fica difícil acreditar que há mesmo alguma solução… Mas não consigo aceitar do jeito que está; alguma coisa em mim não deixa, de jeito nenhum.

Bom, independentemente de um caminho fixo, sei que depois de um projeto assim terei aprendido bastante e estarei com meus olhos ainda mais abertos, podendo me reavaliar e chegar mais perto de me desfazer de qualquer hipocrisia que seja – se algo na gente muda, com certeza nosso jeito de encarar as coisas e os outros também muda; nesse caso, tenho certeza de que será para melhor e de que me sentirei mais apta a realmente me mexer depois de ver que é possível, sim, transformar o mundo – nem que seja só um mínimo pedacinho dele. Meu compromisso, então, é o de voltar como alguém melhor do que sou hoje e, orientadas por isso, partirão minhas ações.

Explicaçõs a parte, sinto que preciso ir.

 

 

tarefa#1 : quem ESTOU?

Agosto 26, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

 

         Para falar sobre quem, vou tentar dizer onde estou;

não tanto na cidade onde moro (São Paulo, no caso), mas no mundo em que vivo hoje. Para tanto, me lembrei de um texto que li há algumas semanas atrás para uma disciplina da faculdade que se chama “história da arquitetura” – o tal texto se chama Os Tempos Hipermodernos (Gilles Lipovetsky e Sébastien Charles) e, em meio à discussão do que seria e o que se relaciona ao que chamados de modernidade, pós-modernidade e essa “hipermodernidade” (onde cá estamos…), alguns fragmentos me chamaram atenção – vou deixar aqui alguns recortes que me soam bem propícios…

“A pós-modernidade é um fenômeno duplo – apresenta-se como um paradoxo e que nela coexistem duas lógicas, uma que valoriza a autonomia, outra que aumenta a independência. – de um lado, mais tomada de responsabilidade; de outro, mais desregramento. A essência do individualismo é mesmo o paradoxo. (…)”

(…e a herança disso:)

“Os indivíduos hipermodernos são ao mesmo tempo mais informados e mais desestruturados, mais adultos e mais instáveis, menos ideológicos e mais tributários das modas, mais abertos e mais influenciáveis, mais críticos e mais superficiais, mais céticos e menos profundos”.

    Hoje, mais ainda, o paradoxo é o que parece nos definir… Evocando a figura de Narciso, desenvolve-se no texto uma das partes que me parece mais adequada para chegar em alguma definição generalizada do que é viver no ritmo que vivemos hoje, do ONDE estamos (e onde EU estou) como “indivíduos hiper”:

“Narciso é doravante corroído pela ansiedade; o receio se impõe ao gozo, e a angústia, à libertação (…), está menos enamorado de si mesmo que aterrorizado pelo cotidiano, pelo próprio corpo e por um ambiente que ele considera agressivo. (…)

Tudo o inquieta e assusta. No nível internacional, o terrorismo e seus estragos, a lógica neoliberal e seus efeitos sobre o emprego; no nível local, a poluição urbana, a violência nas periferias; no nível pessoal, tudo que fragiliza o equilíbrio corporal e psicológico. Em resumo, a profissão de fé não é mais ‘Goze sem entraves’, e sim ‘Tenha medo em qualquer idade’ (…). Só nos reconhecemos na ética e na competitividade, nas regulações sensatas e no sucesso profissional.”

    A meu ver, essa inquietude é tanto aquilo que nos prende quanto aquilo que pode nos levar adiante, para muito além do medo que tende a nos estagnar; assim como Narciso, fico muitas vezes perdida com tanta coisa acontecendo. Mas, de novo, é exatamente daqui que surgem os questionamentos, e são eles os impulsionadores da vontade de mudar; as dúvidas são muitas e aparecem no dia-a-dia quase como uma rotina – seja a respeito da profissão ou de qualquer outra coisa – mas o estado alerta e inquieto é, mais do que resultado do contexto, prova de que continuo sensível a tudo isso – nunca indiferente.

    Hoje, sou melhor resolvida que ontem, já conheço bem meus defeitos e, principalmente, minha capacidade, e sei que tenho milhões de possibilidades em minhas mãos – a faculdade de arquitetura tem deixado isso claro para mim. O desafio, posso dizer, é confiar nisso e não se perder na ansiedade – aprender a lidar com todas essas questões e fazer o melhor que posso com isso – acho que dá pra dizer que um sonho é conseguir ser tudo que posso ser. É um sonho viajar muito e ter mais tempo – quero ter dias de 30 horas! Ou, melhor dizendo, saber usá-los melhor, me preocupando só com aquilo que realmente importa para não perder tempo e energia com o que não me acrescenta.

         Por fim, o parágrafo que provavelmente levantou alguns pelinhos do meu braço:

          “(…) a honestidade intelectual e a preocupação com a verdade continuam a ser apanágio da maioria. (…) Os intelectuais continuam sendo marteladores obstinados do sentido; como tais, são uma espécie antiquada longe de estar prestes a acochambrar desavergonhadamente seu trabalho para lotar suas agendas de compromissos. Talvez o trabalho intelectual, por seu caráter insuperavelmente artesanal e APAIXONADO, seja o que, aqui e ali, venha a opor a resistência mais obstinada à frivolidade, ao porvir-espetáculo, do mundo.”

e EU?

Agosto 1, 2008 por tatikkguerreirossemarmas

De um modo um pouco quadradinho: paulistana, 20 anos, virginiana (para aqueles que acharem isso relevante), meio pé no chão, meio pé na lua. De família armênia tradicional e enorme, apaixonada por música, inconsolavelmente perfeccionista e detalhista, observadora de coisas e, principalmente, de pessoas. E, com todo esse mundo que entra pelos meus olhos todo dia, minha cabeça não pára um só segundo –  essa sensibilidade chega a me tirar o sono muitas vezes, sem que eu sequer saiba o motivo exato da minha ansiedade. Hoje, pelo menos já tenho pistas e sei por onde preciso ir para chegar mais perto da nossa tão procurada peace of mind: criar (e recriar e criar e recriar…)!

 

Meio que de pára-quedas, fui procurar a arquitetura (curso o 3º ano na Universidade Presbiteriana Mackenzie), primeiramente movida por aquilo que eu julgo ser uma das coisas que melhor sei fazer e de que mais gosto: o desenho. Cada dia descubro mais detalhes deliciosos sobre essa minha possível profissão, que de certa forma parece me abrir os olhos (e mente!) cada vez mais. Mesmo sendo parte de uma geração que se vê muitas vezes sem uma força real de motivação e  identidade ou sem atitude definitiva perante a realidade, vejo na arquitetura uma possibilidade de atuar apaixonadamente por algo, usando habilidades que me definem e podendo ter uma interferência valiosa na vida dos  outros e no lugar onde vivemos. Não sei se trabalharei realmente como uma arquiteta e urbanista no futuro – pode ser que eu surte e vá para o meio do nada, pode ser que não, eu sei lá! Mas a arte é pré-requisito, sem ela eu não fico, não sou.

 

Minha angústia perante as coisas como estão não é coisa recente – minhas unhas roídas e meu estômago são prova disso… Têm vezes que fico meio frustrada, desencorajada, sem saber por onde começar. Mas acho até que a busca é algo que me define, parte importante do meu essencial. E vejo em um projeto como o Guerreiros sem Armas uma oportunidade especial para colocar a mão na massa fazendo parte de um grupo de gente que também quer crescer e ver crescer, que não se contenta em ficar assistindo a vida correr, cada vez mais  hipócrita, mais desalinhada, mais surreal (no pior sentido da palavra). Gente que, como eu, já não se contenta com a sensação de ver o mundo escapando entre as mãos…

 

Penso grande, mas também tenho consciência de que tenho muita coisa para arrumar em mim e tento fazer isso a cada dia, nas pequenas grandes coisas. Sempre que dá, fujo daqui e vou para algum lugar da minha cabeça, nem que seja só por alguns segundos; navegar é preciso! E viver, também é preciso.

 

Muito prazer!